Apresentando o Blog!

as autoras: Marilia Melo, Cristina Marques, Rosane Naylor

MULHERES NO MUNDO! Bem-vinda ou bem-vindo ao nosso espaço virtual, e quando falamos “nosso” é porque acreditamos que todo espaço, seja ele virtual ou real, deve ser compartilhado. A ideia que nos moveu a criar “Mulheres no Mundo” foi a percepção humana e a consciência profissional de que as “MULHERES”, nas suas diversidades, precisam ampliar sua participação em veículos de comunicação e expressão que as coloquem em cena como autoras/protagonistas de suas próprias histórias, ao mesmo tempo que as coloquem em contato com outras histórias e formas de expressões, ditas “femininas” ou “não”. Leia mais

LEIA TAMBÉM:  “Mulheres no Mundo: a construção do direito de viver sem violência” artigo das autoras Marilia Melo e Cristina Marques foi publicado e premiado com menção honrosa pelo Conselho Federal de Psicologia – agosto/2011 . A publicação está disponível  no site do CFP : Prêmio Profissional Democracia e Cidadania Plena das Mulheres .

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18 de agosto de 2011 at 12:07 pm Deixe um comentário

Poesiando 2

“ De Tudo um Pouco “

Dos becos, as saídas

que a vida me trouxe 

 Dos desertos, os oásis

que meu coração criou 

Dos motins, as canções de paz

que minha boca entoou 

 

Dos naufrágios, os resgates

que minha fé alcançou 

  

Das desilusões,  a dor

Que  o  amor  não  evitou !

( Cristina Marques)

 

29 de junho de 2014 at 10:32 pm Deixe um comentário

Poesiando

“De um espera”

O quê esperar da vida?

Agora entendo…

Me ensisnastes sem palavas o sentido de uma espera…

Esperar é gestar no coração o dom da vida!

Se encantar com os fenômenos do tempo…

Que em silêncio constroe misteriosos momentos de encontro…

Saber esperar da vida, é saber dar vida à uma espera!

Minha espera agora se explica….

Tua presença explica…

O meu desejo de vida!

Cristina Marques

14 de agosto de 2013 at 3:06 am Deixe um comentário

8 de março: Dia Internacional da Mulher

No mês de março, dia 8,  é comemorado o DIA INTERNACIONAL DA MULHER. A criação desta data está relacionada às reivindicações das mulheres por melhores condições de vida e de trabalho, direito à participação política e por sociedades mais justas e igualitárias. A data foi proposta por Clara Zetkin em 1910, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, no contexto das manifestações das trabalhadoras  pela redução da jornada de trabalho ( que chegava até 17 horas diárias), contra as condições laborais insalubres, o trabalho infantil  e contra salários 60% menores do que os dos homens, para realizarem as mesmas tarefas. Em 1975, a ONU instituiu o 8 de março como o dia que simboliza a busca da igualdade de direitos políticos, econômicos e sociais entre mulheres e homens. As diferenças devem ser consideradas e respeitadas, mas não podem justificar violências e desigualdades. No Brasil, os movimentos em prol dos direitos das mulheres conquistaram o direito ao voto feminino em 1932. Até hoje, muitos foram os avanços e as conquistas, mas ainda  há muito o que fazer, por exemplo, no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, no mercado de trabalho, onde persistem desigualdades salariais, na questão da dupla jornada, pelo fim da violência contra as mulheres….. etc.

Para marcar essa data, postamos uma entrevista exclusiva realizada com a Dra. Adriana Mello, Juíza Titular do I Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca do Rio de Janeiro, sobre a Lei Maria da Penha: clique aqui

Caminhada 8 de março 2012 Paris Foto: Claudia Bonan

E mais: um belo e contundente depoimento de superação da situação de violência doméstica, feito pela Assistente Social Patrícia Olegárioclique aqui .  E um conto da escritora Vera Curi: clique aqui

Caminhada 8 de março 2012 Paris Foto: Claudia Bonan

Mulheres no Mundo: Claudia Bonan nos informa de Paris: “Impressionante caminhada de 8 de Março, organizada por uma grande parcela dos movimentos feministas franceses. Vários grupos estavam ali: mulheres”papel”, mulheres muçulmanas (é fascinante o ativismo das mulheres muçulmanas na França ), lesbianas (mil grupos, com visões muito diversas) , prostitutas, partidos políticos, Ongs, empregadas domésticas, professoras de escolas públicas, movimentos de planejamento familiar e defesa do aborto, muitos homens etc…”    

7 de março de 2012 at 9:55 pm Deixe um comentário

Bullying: Preconceito x Diversidade

Bullying tem origem na palavra inglesa bully e significa intimidar, amedrontar, oprimir, maltratar, depreciar, humilhar, excluir. Compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, sem motivação aparente, em uma relação desigual de poder, causando dor e sofrimento naqueles que são seus alvos. São atos agressivos entre iguais, em que há uma assimetria de poder. Em geral,  o bullying é a expressão do preconceito e da recusa da aceitação de alguma característica ou atributo diferente dos padrões considerados hegemônicos.

Os atos caracterizados como bullying ocorrem em várias escolas, públicas ou privadas, mas não só nas escolas, também podem acontecer em clubes, em reuniões familiares etc. Não é um problema de solução simples, mas uma boa forma de enfrentá-lo é poder falar abertamente sobre a sua existência.

A escritora Regina Vieira nos brindou com três instigantes histórias sobre bullying:

                   primeira história       segunda história      terceira história

                          Escreva e nos envie a sua história também!!!!!!!

                                                                                           

23 de fevereiro de 2012 at 5:31 pm 1 comentário

ARTIGO – Escola: Transformando as relações de gênero

Por Marilia Melo
Psicóloga

As políticas voltadas para as mulheres, em especial as políticas específicas para o enfrentamento da violência de gênero, completam cerca de três décadas de sua implementação. Tais políticas são o resultado das reivindicações feministas e da sua interlocução com o Estado, que redundaram na inclusão da violência contra as mulheres na agenda pública, através de um com conjunto de ações políticas e sociais. O processo foi consolidado com base no princípio de que a violência contra a mulher é injustificada e inadmissível, e se constituiu no contexto de uma ampla crítica cultural contemporânea, realizada pelo movimento feminista, que trouxe para a esfera pública questões até então consideradas secundárias e referentes ao espaço doméstico – subjetividade, família, corpo, desejo, sexualidade – , politizando, conseqüentemente, a esfera privada.

Atualmente, com a promulgação da Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha), as políticas de enfrentamento à violência doméstica e familiar apontam para novos desafios a serem enfrentados no processo de sua execução. Destaque-se, por exemplo, o necessário debate político e teórico sobre os padrões culturais de construção das masculinidades e das feminilidades, visando a criação de novas formas de convívio afetivo e sexual, mais igualitárias e não hierarquizadas, nas relações amorosas e conjugais.

Dessa forma, se as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher têm como foco as transformações das relações de gênero, o sistema educacional, dentre outros, é um espaço estratégico para engendrar mudanças culturais, baseadas em princípios igualitários e nos direitos humanos, bem como para a realização de diversas ações com esse objetivo.

A escola pode reafirmar valores discriminatórios e concepções de que homens e mulheres são desiguais ou, ao contrário, desenvolver ações questionadoras sobre estas práticas e modos de pensar. No contexto escolar podem ser desenvolvidas ações preventivas, como por exemplo, atividades que estimulem a reflexão e o debate sobre a construção de uma sociedade que valorize o respeito à diversidade e formas não violentas de resolução de conflitos. Por outro lado, o contato cotidiano das alunas e dos alunos com as(os) profissionais da educação cria condições para a identificação de casos de violência contra crianças e adolescentes e contra as mulheres (mães e responsáveis das(os) alunas(os)) no âmbito doméstico e familiar. Isto insere a escola, articulada com outras instituições, como parte importante de uma política de implementação de uma rede de proteção contra a violência de gênero e contra a violência direcionada às crianças e adolescentes.

A escola é um espaço-tempo marcado pelas relações de gênero e conforma ou desconstrói modelos do que seja masculino e feminino, que tiveram início nas relações familiares, em um dado contexto histórico-cultural. E por isso também é uma instância importante para o enfrentamento das desigualdades de gênero.

Enfim, as mulheres estão no mundo, em todos os lugares e espaços, e se colocam na cena como protagonistas da invenção de novos modos de se relacionar na vida e de novas formas de conceber as relações de gênero.

20 de agosto de 2011 at 3:29 pm Deixe um comentário

VÍDEO – Assédio moral no ambiente de trabalho

Nossa colaboradora, Cristina Marques, participou do programa Conexão Futura, do Canal Futura, sobre assédio moral no ambiente de trabalho. Confira os vídeos:



20 de agosto de 2011 at 12:34 pm Deixe um comentário

ARTIGO – Humanismo e Esperança em Paulo Freire

Por Flávio Pinto Vieira¹

Em seu livro Meu Encontro com Marx e Freud, Erich Fromm examina detalhadamente o que chama de renascença da experiência humanística. É o que ele achou que ocorreria, depois de determinada trajetória histórica, no final do século XX. É a renascença, segundo ele, do humanismo, da emergência de um novo Ocidente que empregue seus poderes técnicos em prol do homem, ao invés de usar o homem como se fosse uma coisa. É a nova sociedade, na qual as normas para a realização do homem governarão a economia, ao invés de ser o processo social e político governado por interesses econômicos cegos e anárquicos.

Citei Fromm de propósito porque seu pensamento aparece freqüentemente na obra de Paulo Freire, o incomparável educador brasileiro. Fromm aparece ao lado de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Roger Garaudy, Herbert Marcuse, figuras que poderiam representar a chamada renascença da experiência humanística. E Paulo Freire pode perfeitamente ser colocado, pela sua atuação e pelas suas reflexões, junto a esses pensadores. Eu creio que a sua “pedagogia do oprimido” é hoje fundamental em todos aqueles países do Terceiro Mundo que estão, decididamente, levando seus povos para melhores condições de existência.

O que disse acima é resultado da leitura de Educação e Mudança. Há certa unidade no pensamento de Paulo Freire, e em qualquer um dos seus livros encontramos a base antropológica que sustenta as suas posições diante do mundo. Seja quanto à pedagogia propriamente dita, ou seja quanto ao conhecimento, digamos assim, de um novo homem oprimido.

Paulo Freire / Imagem: Wikipedia

Educação e Mudança reúne quatro ensaios. Pelos seus títulos, percebe-se a sua atualidade e a sua importância: 1) o compromisso do profissional com a sociedade; 2) a educação e o processo de mudança social; 3) o papel do trabalhador social no processo de mudança; e 4) alfabetização de adultos e conscientização. Nos quatro artigos, a visão de Paulo Freire se impõe admiravelmente, e nessa visão pretendo destacar duas dimensões que se complementam: o humanismo e a esperança.

A respeito do humanismo, em primeiro lugar, é preciso mostrar a diferença em relação ao que se pensa academicamente sobre o assunto. O próprio Paulo Freire nos esclarece: Ö autor não entende por humanismo, neste como em outros estudos seus, as belas-artes, a formação clássica, aristocrática, a erudição, nem tampouco um ideal abstrato de bom homem. O humanismo é um compromisso radical com o homem concreto. Compromisso que se orienta no sentido da transformação de qualquer situação objetiva na qual o homem concreto esteja impedido de ser mais.”

Ser mais: esta expressão é muito usada nos escritos de Freire. Significa exatamente a possibilidade que se apresenta ao homem concreto de deixar de ser coisa, de se humanizar. Essa possibilidade é fundamental na experiência humanística de Freire. O compromisso radical com o homem concreto não pode ser passivo: ele é práxis, inserção na realidade e conhecimento científico desta realidade.

Como se dá esse compromisso? O exemplo dado pelo educador é cristalino. No caso de uma reforma agrária, o profissional que minimiza o camponês, desconhece sua técnica e seus procedimentos empíricos, está fugindo de um compromisso radical. Os procedimentos dos camponeses são manifestações culturais e, em determinados limites, são válidos e não podem ser mecanicamente substituídos.

Por isso, para o compromisso autêntico é necessária a consciência crítica. Essa consciência é aquela que vê o homem concreto, o homem na sua totalidade. Essa consciência, em oposição à ingênua, é a base do humanismo concreto de Paulo Freire.

Uma de suas características principais seria não repelir o velho pôr ser velho, nem aceitar o novo pôr ser novo; mas aceitá-los na medida em que velho e novo são válidos. A dialética do velho e o novo explica uma posição ingênua diante da reforma agrária. Aquela exatamente que privilegia a técnica (por ser nova) e minimiza a participação camponesa (por ser velha).

Assim, é preciso encarar o camponês em sua totalidade existencial; ele não é coisa, objeto manipulável pela técnica. Na medida em que é um ser humano, exatamente como o profissional é um ser humano, ele precisa ser visto como sujeito, como criador. Seus procedimentos empíricos, na aparência velhos diante da novidade técnica, são válidos em certa medida e não podem ser rejeitados. Para não haver essa rejeição, é necessário que a consciência crítica do profissional considere o homem concretamente: criador como todos os outros homens.

O humanismo no pensamento de Paulo Freire é complementado pela esperança. A mesma esperança que não integra uma concepção direitista do mundo: esta, com efeito, é catastrófica, exatamente porque não pode aceitar as mudanças radicais que alterariam os privilégios dos seus representantes. O pensamento de direita cultiva o desastre. Cultiva o caos. Qualquer mudança para ele é arriscada e pode levar à derrocada, precisamente porque o pensamento de direita não quer mudar nada. Não quer perder a situação privilegiada, dominante. Por isso, nega a esperança.

Uma posição revolucionária deve manter sempre acesa a esperança. Para Paulo Freire, o homem é inacabado e sabe-se inacabado. Com base nesse inacabamento, nasce o problema da esperança e da desesperança. Diz ele: “Eu espero, na medida em que começo a busca, pois não seria possível buscar sem esperança. Uma educação sem esperança não é educação. Quem não tem esperança na educação dos camponeses deverá procurar trabalho noutro lugar.”

A esperança não pode faltar a nenhum trabalhador social. Este não pode ser, segundo o educador brasileiro, um homem neutro frente ao mundo, um homem neutro frente à desumanização ou humanização, frente à permanência do que já não representa os caminhos ou à mudança destes caminhos. Como homem, entre homens, ele tem que optar: “ou adere à mudança que ocorre no sentido da verdadeira humanização do homem, do seu ser mais, ou fica a favor da permanência.”.

Ora, uma adesão à mudança humanizadora implica em esperança. O direitista, como já disse, não crê em mudanças; é o desesperançoso. Por outro lado, essa adesão não pode ser domesticadora.

Aqui reside uma das virtudes excepcionais de Paulo Freire: o antidogmatismo, a antimanipulação. O cientista social não pode impor sua opção aos demais. Se atua desta forma, apesar de afirmar sua opção pela libertação do homem e pela humanização,

“está trabalhando de maneira contraditória, isto é, manipulando; adapta-se somente à ação domesticadora do homem que, em lugar de libertá-lo, o prende.

“A esperança crítica do humanismo concreto nasce também do fato de o homem se descobrir presença criadora e, portanto, capaz de transformar a realidade em que está inserido. Nada de fatalismo, este é típico do homem que não objetiva uma realidade. Fatalismo e esperança se excluem. Quando aquele morre, esta nasce. “Uma esperança crítica que move os homens para a transformação.”

É importante não se esquecer de que o homem, descobrindo-se presença criadora na realidade, reconhece o seu semelhante também como criador. Esse reconhecimento evita que se dê uma nova roupagem à relação opressor-oprimido. E ao mesmo tempo destaca o papel inestimável do diálogo. Do diálogo que dispensa o auxílio de mitos contrários àqueles que não defendem as mudanças e lhes são hostis. Nessa perspectiva, há uma advertência admirável de Paulo Freire:

Esta é a razão pela qual o trabalhador social-humanista não pode transformar sua “palavra” em ativismo nem em palavreado, pois uma e outro nada transformam realmente.

Pelo contrário, será tanto mais humanista quanto mais verdadeiro for seu trabalho, quanto mais reais forem sua ação e sua reflexão com a ação e a reflexão dos homens com quem tem que estar em comunhão, colaboração, convivência.

No prefácio a Educação e Mudança, Moacir Gadotti lembra que o diálogo de que nos fala Paulo Freire não é o diálogo romântico entre oprimidos e opressores, mas o diálogo entre os oprimidos para a superação de sua condição de oprimidos. Não é também um diálogo ingênuo. “Esse diálogo”, diz Gadotti, “supõe e se completa, ao mesmo tempo, na organização de classe, na luta comum contra o opressor, portanto, no conflito”.

Alguém será contra a libertação do oprimido, contra um esforço de humanização do homem? A verdade é triste: em 1964, acharam que era subversão esse esforço de Paulo Freire. O fato de que um varredor de ruas descobre o seu valor como homem e a dignidade de seu trabalho foi encarado como fato subversivo.

Era essa a intencionalidade do seu método de alfabetização: fazer do homem-coisa, simples joguete da fatalidade ou do destino, um homem-sujeito. Um de seus analfabetos, durante um círculo de debates, disse certa vez: “Faço sapatos e descubro agora que tenho o mesmo valor do doutor que faz livros”.

As reflexões de Paulo Freire, inseridas no contexto filosófico, a meu ver, mais avançado do século passado, marcado pelo humanismo crítico revolucionário, e a sua ação pedagógica o colocam no primeiríssimo time da cultura brasileira. Reflexões e ação que a ignorância do autoritarismo repressivo expulsou do país durante quinze anos.

 (1)Flávio Pinto Vieira, jornalista e escritor. Tem dois livros publicados: um livro de ensaios, “Cultura e Dependência”, Editora Codecri; e um livro de contos,”Nove Histórias e Dez Mulheres”, Ed. Sette Letras.

Artigo publicado em Socialismo.org.br  Neste site você encontrará outros textos e crônicas do autor.

20 de agosto de 2011 at 11:37 am Deixe um comentário

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